24 janeiro 2026

As campanhas modernas


Na análise do que houve de novo nas últimas eleições presidenciais, refere-se a natureza das campanhas. Há os candidatos que as fizeram “à antiga”, com os habituais beijinhos e abraços em ruas e mercados para os telejornais e os que apostaram nas redes sociais, fazendo pinos, flexões de braços e outras gracinhas. Parece que há um público, jovem, para estes canais, que até nem tem o hábito de  ver telejornais.

Pode-se argumentar que Marcelo também fez a sua notoriedade como “influenciador”, simplesmente em média diferente, na televisão tradicional e não nas redes. Não me parece assim tão óbvio o paralelo. Por muito que se possa discordar e questionar o seu dilúvio de palpites e comentários, tratava-se de palavras que nos desfiavam a pensar, um pouco. Muito diferente será vermos “influenciadores” políticos a ganharem popularidade com habilidades e gracinhas, em concorrência com skaters aventureiros e imprevistos gatinhos. O mundo (nisto e não só) não muda por decreto nem a partir de simples lamentações, mas era importante não ficar pela constatação do: É assim, para os jovens tem de ser assim!

Está em causa mais do que as faculdades de entretenimento de um personagem e o grande desafio será mesmo cativar e motivar os jovens para a política pelo que ela é e pelo que realmente impacta na sua vida. Não é fácil? Pois não… e também é verdade que os beijinhos e abraços nos mercados de substância têm pouco.

23 janeiro 2026

Cisnes Selvagens

O livro de Jung Chang, com o nome aqui em título, foi editado em 1991, contando a história de 3 gerações de mulheres na China, ao longo do século XX. Para muitos terá sido o primeiro contacto pormenorizado e bem documentado com o “Grande Salto em Frente” e a “Revolução Cultural” maoístas, todos os seus absurdos, abusos, brutalidades e chacinas.

Não é aqui espaço para o detalhar. Para quem se interessa pela história do século XX, é um livro obrigatório. Como curiosidade apenas gostaria de ouvir o comentário dos “progressistas maoístas” europeus dos anos 60 e 70 sobre as barbaridades reais do seu ídolo asiático.

Um destes dias encontrei numa livraria o “Voai, Cisnes Selvagens”, da mesma autora, 34 anos depois. Embora revisitando algumas passagens do primeiro, é mais autobiográfico, com a história da vida de Jung Chang, como decidiu escrever o primeiro livro, o que depois escreveu e como o regime foi reagindo às suas publicações. Vale a pena. É, novamente, histórico.

Quanto a outras obras da mesma autora, há a assinalar uma biografia de Mao que deve ser uma das melhores obras sobre o tema e da Imperatriz (viúva) Cixi. Encomendadas, já me foram ambas entregues e aguardo com muita expetativa o tempo da sua leitura. Conhecer a China é importante para conhecer o mundo.

Irei dando notícias… 

22 janeiro 2026

Adamuz, a “Glória” espanhola


Há poucos dias um descarrilamento e posterior choque de dois comboios de alta velocidade, em Adamuz, próximo de Córdova provocou 43 a 45 vítimas mortais. Ainda é cedo para conclusões finais, mas faltar uma parte do carril, conforme fotografia acima, e marcas nas rodas do comboio descarrilado e noutros que por ali circularam previamente, parece apontar para um defeito de soldadura.

Avarias podem sempre acontecer e é cedo para conhecer toda a sequência de fatos que terá produzido a tragédia e apurar responsabilidades. Há, por isso, algo que me irrita que é a imediata “gestão política” da desgraça, por outras palavras, os putativos responsáveis a tentarem “sacudir a água do capote”, ou a procurarem fazer circular “narrativas” de abrigo.

A ver vamos como isto fica à chegada. A Espanha institucional não é muito famosa pela transparência na comunicação (lembram-se do “Prestige” na Galiza, onde os galegos viam a TV portuguesa para saber o que se passava?), mas os tempos são diferentes.

Aqui há algum perfume semelhante ao da tragédia do elevador da Glória, em Lisboa. Uma grande tragédia por uma falha estrutural que “não podia” acontecer e uma enorme distância entre os decisores de topo e os técnicos do terreno. Quando falo em distância, não me refiro a sequência de níveis hierárquicos, é pior do que isso. É existir gente política e/ou politicamente nomeada que não tem “ni puta idea” do que andam a fazer ou do que deveriam assumir e que, quando um desastre “fatalmente” acontece, a prioridade é correr para o abrigo. 

21 janeiro 2026

Trump é diferente

Trump não foi à Venezuela “extrair” Maduro para proporcionar democracia, liberdade e bem-estar ao povo venezuelano, nem teve o cuidado de o declarar ou insinuar, mesmo que isso possa eventualmente ser um efeito colateral. Os EUA intervieram na Venezuela para evitar que o petróleo fosse para a China, Rússia ou Cuba. Não foi certamente a primeira intervenção feita por eles (e por outros) ao arrepio das normas internacionais e fundamentalmente para proteção dos seus interesses.

A argumento do “narcotráfico” tornou-se necessário unicamente para um mínimo de enquadramento “legal”, sendo que antes de ir pescar pessoas à Venezuela, muitos grandes peixes estão aí ao lado no México e com muito mais impacto no seu país.

A diferença em Trump não será muito por estes atos, mas pela forma como ele assume frontalmente a verdadeira motivação. A ignóbil reação dele ao assassinato de Rob Reiner prima também pela “transparência”. Muitos outros antes dele terão tido arrogâncias e desrespeitos análogos, mas apenas em privado.

O fato de a diferença de Trump ser mais na comunicação do que na ação não é um aspeto de menor importância. Os seus antecessores, ao terem assumido no passado nobres causas e motivações “humanistas”, expunham-se a serem desmascarados por hipocrisia. Com Trump é diferente. A insolência e o desrespeito públicos tornam-se politicamente aceitáveis.

Algo que me parece substancialmente diferente com Trump é a sua aparente “subordinação” a Putin, como se este soubesse algo que o pudesse comprometer. 

20 janeiro 2026

Quo vadis PSD?


A evocação recorrente nesta campanha da inspiração do brilhante Sá Carneiro, evoca um ponto comum com a de 1981. A de um grosseiro erro de avaliação na escolha do candidato presidencial e de que os partidos não são donos absolutos do seu eleitorado nas Presidenciais. Acharam mesmo que Marques Mendes tinha postura para os portugueses o reconhecerem como Presidente e que nomeá-lo candidato bastava?

O PSD perdeu e não dar indicação de voto para a 2ª volta é curioso. Para Montenegro é indiferente ter Seguro ou Ventura em Belém? Olhe que não, olhe que não… Se podemos começar por falar apenas nas facilidades/dificuldades da governação, passando para o domínio dos princípios, ainda mais clara deveria ser a imagem. Ventura vai continuar a pedir e a defender os três Salazares?

Mais tarde ou mais cedo o PSD terá que decidir e assumir com quem quer preferencialmente estar. Se com o PS expurgado do Costismo (herdeiro e órfão do Pinto de Sousa) ou com o Chega. Decidam e assumam.

19 janeiro 2026

Como ficamos



 António J. Seguro

É com satisfação vejo a vitória de AJS que, conforme já referi aí para trás, apoiei. Era o candidato mais adequando à função. Certo ser um pouco redondo, mas de agudos e retorcidos já estivemos servidos.

A ver o que se passa no PS. Para já é um “Incha, Costa!”, “Embrulha, Santos Silva!”, sendo que as probabilidades de Seguro vencer a 2ª volta dependem muito de quanto afastado se mantiver do aparelho do Rato.

Em 86, Mário Soares começou por disparar contra Salgado Zenha à sua esquerda, para poder passar à 2ª volta, e depois foi namorar o PC. Seguro começou a dizer que sim, era de esquerda, e agora vai certamente alegar que é de esquerda “ma non troppo”…

André Ventura

Sempre a subir, apesar de todos os equívocos quanto à natureza do cargo em disputa e um muito à-vontade quanto à distância entre o seu discurso e os fatos reais. Aqueles que o querem travar devem começar a pensar numa estratégia diferente da atual.

Não deverá ganhar, mas se o fizer será a implosão do partido, que fica sem líder a primeiro-ministro credível ou/e do sistema, já que irá continuamente procurar extravasar as competências do PR.

Veremos se continuará a pedir e a defender os 3 Salazares.

Cotrim de Figueiredo

Um bom resultado, muito à custa do PSD e do candidato oficial do partido, mas algum deslumbramento e mesmo um cheirinho de arrogância não ajudaram.

Começou no debate plenário em que decidiu menorizar os candidatos pior colocados, passou pela majestática declaração de que se calhar poderia apoiar Ventura na 2ª volta e acabou na agressiva reação à notícia da acusação de assédio. Podia ter toda a razão do mundo para sentir-se injustiçado, mas ao nível de um potencial PR não se reage a disparar em todas as direções.

Ainda sobre a acusação, se a mesma já tem dois anos, porque ficou a marinar na IL? É para isto que os canais de denúncia (e de boas práticas publicados) servem? Se calhar não será caso único.

Gouveia e Melo

Na terra dos cegos, quem tem um olho é rei. O extraordinário relevo dado a GM na campanha das vacinas, só confirma o quanto as expetativas são baixas relativamente ao desempenho de quem o Estado nomeia.

Quando o aroma apetitoso do poder cresceu à sua volta, muitas moscas atraiu, algumas francamente pouco recomendáveis, o que não perfumou positivamente a campanha.

Depois, faltou-lhe o segundo olho para nos convencer do que poderia mesmo fazer no futuro.

Marques Mendes

Falou-se bastante de Sá Carneiro nesta campanha e o partido fez algo semelhante à opção do antigo líder na de 1981. Um enorme erro de “casting”. Soares Carneiro não tinha pose nem carisma para convencer o “povo”, Marques Mendes também não. Era difícil de adivinhar? Acho que não…

É muito curioso que nem MM nem o PSD darem indicação de voto para a 2ª volta. Para Montenegro é indiferente ter Seguro ou Ventura em Belém? Olhe que não, olhe que não… E só estou a falar nas facilidades/dificuldades da governação, sem entrar pelos “princípios”. Mais tarde ou mais cedo o PSD terá que decidir e assumir com quem quer preferencialmente estar. Se com o PS expurgado do Costismo (herdeiro do Pinto de Sousa) ou do Chega. Decidam e assumam

Dos restantes não é relevante falar!


17 janeiro 2026

Estou em reflexão

Não é que precise deste período de retiro para definir o meu voto de amanhã, contudo aprecio a calma. Sei que só liga a televisão quem quer e no canal que escolher, mas deixar de ver candidatos a fazer pinos reais ou simbólicos, ou aos beijinhos e abraços por feiras e mercados, dignifica a imagem que guardamos deles para quando os virmos amanhã no boletim de voto.

Achei muito curiosa a intervenção de Marcelo R. Sousa, defendendo a importância deste dia de reflexão, quando ele votou antecipadamente, sem dele ter usufruído. Também não justificou porque necessitou de votar antecipadamente, sendo que o voto antecipado parece-me ser dirigido a quem disso necessita, prescindindo, portanto, do período de reflexão.

Enfim, que Marcelo de tudo fale, sem necessidade de tudo justificar, já estávamos habituados e, nestas minhas reflexões, só me resta esperar que no futuro não venhamos a ter saudades do tempo dos seus mandatos.

15 janeiro 2026

A dificuldade de pensar…


Em outubro de 2024 o Governo lançou o Passe Ferroviário Verde com o qual, por 20 euros mensais, se pode viajar numa larga gama de serviços da CP, incluindo o Intercidades (IC). Não se previu que a procura pudesse disparar a ponto de saturar a oferta disponível, com impacto significativo nos ICs de reserva obrigatória.

Com as reservas a abrirem 24 horas antes da partida prevista da estação de embarque do passageiro, os utilizadores desenrascados descobriram que reservando para uma partida de uma estação a montante da sua teriam acesso à reserva com mais antecedência e pelo mesmo preço!

Obviamente que o truque se generalizou e alguém que queira ir de Santarém para Lisboa no IC das 13h18, pode fazer a reserva no mesmo comboio a partir de Braga, de onde sai às 10h04, ganhando mais de três horas de “vantagem”. Se alguém pretender ir no mesmo comboio do Porto até Coimbra, poderá não o conseguir porque há um lugar reservado desde Braga para alguém que vai entrar apenas em Santarém.

Que não tenham previsto o problema ainda se pode tolerar, enfim…, agora que não tenham encontrado solução, que continuem a circular comboios com lugares fisicamente disponíveis e gente a ficar em terra, já é mais um sinónimo de incapacidade de pensar e realizar, porque para encontrar uma solução para resolver este absurdo não é necessário desenterrar Einstein. Pelo menos já batizarem o fenómeno. Chamam-lhe “Viagens fantasma” e, como se sabe, não é fácil lidar com o sobrenatural.

14 janeiro 2026

E Marques Mendes desistir?

Dizia Cotrim no início da pré-campanha que tinha sido “convidado” a desistir em favor de Marques Mendes. Não chegou a precisar quem o tinha feito, nem exatamente como e o assunto caiu no esquecimento.

A campanha real provou que Marques Mendes, saído da cadeira de comentador televisivo vale pouco e pouco convence. Nem é apenas a questão da altura e da voz nasalada. A sua linguagem corporal não demonstra de forma nenhuma “pose de estadista”.  Dada a forma arrastada e algo repetitiva (professoral ?!) como comunica, chega-se ao ponto de querer dizer-lhe: deixe de falar para os seus botões e seja conciso. A forma como comprou a polémica levantada por Gouveia e Melo, também foi infantil e pouco valorizadora.

Correu mal e, contra as expetativas oficiais iniciais, Marques Mendes parece estar fora da corrida, quando Cotrim ainda tem algumas hipóteses. Hoje, este fez um apelo ao voto do PSD na sua candidatura. Não sei se está deslumbrado com o sucesso, com vontade de humilhar adicionalmente Marques Mendes ou simplesmente criar um novo “facto” que permita enviar para segundo plano os anteriores, menos favoráveis.

Uma coisa é certa. Para a “direita democrática”, fazia sentido que MM efetivamente desistisse em favor de Cotrim. Não sei se depois alguém o “aturaria” nem como o PSD iria digerir a história do flop. De todas as formas, de um flop já não se safa… estava-se mesmo a ver que MM presidente não seria a primeira escolha de muita gente do próprio partido, não?

 

13 janeiro 2026

Opus

Certamente que haverá muita gente boa e bem-intencionada associada ao movimento Opus Dei.

Quem se quiser informar (e não pelo “Código da Vinci”) encontrará facilmente alguns detalhes que farão franzir sobrolhos. Uma organização elitista focada no poder, abusos de poder e o degradante tratamento das auxiliares, coerções e limitações das liberdades dos seus membros, mortificações corporais e outros sacrifícios físicos algo medievais, manipulações tocando gente demasiado jovem para ser embarcada nestes projetos, roturas familiares pouco cristãs, altos jogos de xadrez no Vaticano apadrinhados por João Paulo II. Enfim, muita coisa muito pouco enquadrável e abençoável pelos princípios cristãos, sendo que, se Cristo voltasse à Terra, talvez os tratasse pior do que fez aos vendilhões do Templo. E, mais uma vez, todos aqueles que participam e acreditam estar num campeonato pio e meritório, tentem informar-se (se puderem) e ser objetivos.

Sobre o pano de fundo do colapso do Banco Popular, este livro faz uma viagem detalhada sobre a história da organização, visitando muitos dos detalhes que em grande parte já se conheciam. O que me deixou muito surpreendido e mesmo chocado foi, particularmente relativamente aos EUA, a facilidade com que milhões e milhões podem ser oferecidos e circularem sem o público saber bem quem paga o quê e para quê. É conhecido que por lá os donativos para as campanhas eleitorais, por exemplo, atingem dimensões astronómicas, chocando um pouco tentar imaginar o que os doadores estão a (tentar) comprar que possa justificar tais valores.

Quanto à sua entrada e influência nos meios académicos, entre estes e os wokes, o Diabo pode estar à vontade para escolher…!

Voltando ao Opus, resta esperar que o Papa Leão XIV continue os passos do Papa Francisco, refreando os ímpetos e o poder da organização, caso contrário parece-me existir um risco de vermos uma mutação da religião, com José Maria Escriva a substituir Cristo como figura fundamental e este a deslizar para partilhar o fundo da cena com Abrão.

Em conclusão o que me repugna fortemente são organizações, esta e outras semelhantes, utilizarem boas causas como simples engodo para projetos de poder, atraindo e enganando gente bem-intencionada.

Se alguém discordar, diga… 

Sobre estas reflexões de há 20 anos, pouco mudou...

11 janeiro 2026

Pobres políticos


É extremamente positivo que quem desempenhou cargos políticos consiga ter uma atividade profissional e rendimentos na vida que é a real para a esmagadora maioria dos cidadãos. De escrutinar será, não necessariamente a lista dos seus clientes, mas a natureza das prestações. Quando se evoca o manto diáfano (Eça está na moda…) da “consultadoria” é indispensável entender de que é que se fala exatamente. Porque é que uma empresa privada, que luta para sobreviver, que se calhar até gostaria de remunerar melhor os seus colaboradores, vai entregar recorrentemente uns milhares de euros a ex-políticos? Qual o retorno?

Alguém que cobra por consultadoria é alguém que tem um conhecimento específico e muito especializado sobre uma dada matéria. Não existem consultores “todo-o-terreno”. Daí ser um pouco surpreendente como alguém que nasceu e sempre vivou na política possa ter esse valor para vender a uma larga diversidade de empresas.

O que cheira é que as empresas precisarão de acesso a informações e contactos com decisores que estão na agenda de contactos desses “consultores” … Na minha opinião, esta necessidade não existirá num país eficiente e decente. Quem precisa de informação e interação com o poder, deve ter acesso direto claro e transparente, sem precisar de andar a pagar gorjetas a porteiros e estafetas que os possam conduzir por corredores (propositadamente?) obscuros e mal sinalizados.

Voltando ao valor de quem faz carreira na política, sendo certo que políticos são necessários, talvez valesse a pena pensar em eliminar os empregos partidários para jovens e as estruturas “jotas”. Todos deveriam começar com uma atividade externa em concorrência e baseada nalguma competência. Entenderiam melhor o país real e teriam também um sítio limpo para onde regressar no dia em que saíssem da política ativa.

09 janeiro 2026

Segurando o PS


A degradação do nosso regime (não só do nosso, mas por hoje focamo-nos aqui) e a erosão dos partidos tradicionais são, a prazo, um retrocesso e um risco para o sistema democrático em que nos habituamos a viver, em liberdade.

Por muito eco que as propostas extremistas possam ter em gente séria, bem-intencionada e com motivos concretos e válidos para estar desiludida com o “sistema”, é evidente que a sua eventual colocação em prática não irá nada resolver, muito pelo contrário.

Os radicais de esquerda podem invocar bons-sentimentos e projetos de uma humanidade mais justa e generosa, mas a sua implementação sempre falhou, tanto na vertente económica, sem geração de riqueza não há milagres, como no próprio campo que lhes é teoricamente caro, o da liberdade. Os de direita, podem apelar à salvaguarda de valores tradicionais e uma certa ordem e segurança, mas também trazem o risco de uma discriminação injusta e até violenta.  Em ambos os casos, a prazo, não haverá tolerância, segurança e sucesso.

Parece-me claro que o modelo que funciona melhor é o atual e o problema não está nos seus princípios, mas sim nos seus intérpretes. Dentro dos protagonistas recentes que se distinguiram pelas piores razões, está obviamente o PS. Falamos de Sócrates e dos seus órfãos e afilhados, assim como dos coitados por ele “enganados”, que nada viram. Também não há anjos, longe disso, mas o PS leva a medalha de ouro (?!) de longe no campeonato da degradação e descredibilização do nosso sistema.

A candidatura de AJ Seguro às Presidenciais não é certamente um toque mágico que tudo pode resolver, mas o seu sucesso, que sinceramente gostaria de ver acontecer, seria um grande passo na regeneração de um dos partidos fundamentais do nosso regime. Sou eu a ser otimista, mas às vezes é preciso.

04 janeiro 2026

E agora mundo…?

O regime de Nicolás Maduro era criminoso, não tinha legitimidade e é possível (sejamos otimistas) que o povo venezuelano passe a viver melhor no futuro, após esta operação militar. Depois do descalabro social e económico provocado pelo chavismo, não é muito difícil.

No entanto, e por muito que possa eventualmente melhorar a vida no país, é impossível apoiar a operação dos EUA, simplesmente porque o argumento de ter o direito de aniquilar um regime narco, serve também para atacar os “nazis” da Ucrânia pela Rússia e os “amotinados” de Taiwan pela China. Nestes dois últimos casos não há nenhuma “desculpa” minimamente séria e razoável nem nada de bom a esperar para os países atacados.

Não faltam países no mundo com regimes criminosos cujas populações têm a vontade e o direito a viverem melhor, no entanto, ao avançar com intervenções militares, sabe-se como começa, mas não se sabe como acaba.

No pano de fundo temos uma ONU completamente ultrapassada e esvaziada. Quando a diplomacia colapsa, entram as armas. O mundo em que queremos viver tem que saber como conviver com essas armas, recordando que nem sempre estarão em “boas” mãos.

03 janeiro 2026

E deixar de pifar?


Há países onde a passagem do controlo de fronteira nos aeroportos é uma lotaria que pode atingir várias horas de espera. Esses calvários não estão necessariamente associados a exigências de segurança. Em países como a China ou Israel, por exemplo, tive a experiência de uma passagem relativamente fluida. O problema está fundamentalmente na organização e, muito, nas atitudes.

Recordo-me de situações onde é necessário preencher uma ficha, muitas vezes escrita de pé na fila, com o passaporte a servir de apoio e depois o funcionário ficar paulatinamente a colocar os traços dos Ts bem horizontais e a completar as perninhas nos Ns e Ms, enquanto centenas de pessoas atrás esperam.

Vem isto a propósito do aeroporto de Lisboa onde por isto ou por aquilo é recorrente os viajantes serem brindados com largas horas de espera. Recentemente ouvi aterrorizado estatísticas de médias de 3 horas e pontas de 7! Tantas horas a fio, de pé, numa fila é absolutamente vergonhoso e mesmo desumano. Certo que as instalações não são as ideais… mas quando a PSP sugere a realização de um plenário no pico da tormenta, não parece estar do lado da solução. Será necessário ressuscitar o SEF, tipo baralhar e tornar a dar?

Quando a ministra atribui a culpa a um servidor que “pifou”, ficamos a adivinhar que haverá mais coisas pífias naquele sistema… Dizem nos Websummits que somos um país com um enorme potencial nessas coisas das tecnologias!  Que isto é indecente e vergonhoso disso não há dúvidas e para uma resposta eficaz ontem já era tarde!

01 janeiro 2026

Pela vida

Nas últimas horas de Sol de 2024 o jardim teve direito a uma limpeza. Os trabalhos foram supervisionados de perto por um atento passarito, talvez preocupado por o corte de galhos afetar o seu habitat ou na expetativa de que nas voltas e reviravoltas surgisse alguma coisa simpática para debicar.

Ficou por al a saltitar de galho em galho, pela relva, pelos passeios e até mesmo em cima do balde que recolhia os verdes. Caídos os últimos raios de Sol de 2025, terminados os trabalhos, despediu-se e lá terá ido à sua vida.

Uma coisa é certa. Mesmo por entre ramos secos que mais tarde ou mais cedo desaparecerão, haverá sempre um novo Sol a nascer e alguma forma de vida para o receber e para ser apreciada.

Aproveitem 2026!